UBE

Missionário não foi enviado para ser bajulado

13 novembro 2010

Quase todo mundo conhece esta música: “Eu quisera ir ao campo missionário”. É, de fato, um desejo louvável. Quantos milhões ainda perecem sem a mensagem do Evangelho por falta de pregadores? O que dizer dos crentes da Etiópia, por exemplo, que estão apodrecendo em contêineres por seguirem a Cristo? Como lidar com a humilhação contra os cristãos norte-coreanos? Realmente, é uma aspiração salutar pensar em ir ao campo missionário para levar Cristo a quem precisa.

Mas o que tenho acontecido é que as pessoas querem ir ao campo missionário para fazer turismo, conhecer novas culturas, aprender outro idioma, como se a missão fosse um intercâmbio de férias.

Há, inclusive, pessoas que pensam na obra missionária como um ótimo lugar para achar um “bom partido”, como se o simples fato de se relacionar com um (a) crente lá de fora as credenciam como superiores aos seus conterrâneos.

Mas não é nem esse foco que eu trago para o texto. Eu falo da idolatria a homens de Deus chamados para sofrer longe da família e dos amigos em busca de almas em outros países. Não falo dos missionários fraudulentos (que dizem terem sido chamados por Deus, vão a outros países e se desiludem com o cenário que veem), dos aproveitadores (que utilizam o dinheiro de sua igreja para bancar seus luxos em outros países) ou dos falsos missionários (aqueles que acham que têm o rótulo de missionário como status, promoção ou regalia).

Os autênticos missionários são bem cuidados, preparados espiritualmente, vivem para Deus, têm um zelo pela obra, um amor por missões e um carinho pelo povo onde vive.

São pessoas que pregam a Palavra para dez pessoas num culto “lotado” na pequena igreja da qual fazem parte; que cultuam apenas com a família em cultos de oração; que passam por experiências que nem todo cristão costumaria passar.

Os missionários são pessoas que pregam no domingo, visitam na segunda, doutrinam na terça, oram na quarta, são chamados para expulsar demônios na quinta, saem para entregar literatura em ruas esvaziadas na sexta, lavam a igreja no sábado e sofrem pressão dos opositores na semana toda.

Isso pode não acontecer com todos, mas todos sabem que a missão não é como a igreja-mãe. Na sede, há crentes de sobra para fazerem o que esses missionários fazem em todas as áreas. Essa realidade explicitada aqui pode não ser a realidade de todos os missionários, mas uma coisa é certa: missão não é turismo. É obra árdua em prol da salvação dos perdidos.

Mas onde está o erro? O erro na idolatria cega praticada à revelia; o erro está em desejar ir pra missão para ter o “status” do missionário, que – pensam os desejosos – devem fazer megacultos para milhares de pessoas, das quais centenas se rendem a Cristo; o erro está em tratar os missionários como obreiros diferenciados por serem homens aculturados; o erro está em pensar que os missionários são os desbravadores de nações, heroicos matadores de leões nas selvas africanas, expulsores de demônios contra feiticeiros indígenas, mega-homens, super-homens.

Se alguém quer ir ao campo missionário por causa dessa imagem equivocada, é bom ir revendo os conceitos sobre isso. Se é para se emocionar em ver slides com fundos musicais tristes mostrando as criancinhas africanas desnutridas nos braços de mães aflitas, que não se esqueçam das favelas da sua cidade ou dos longínquos lugares do interior onde o catolicismo impera e os cultos – assim como na missão – são pouco concorridos e frios.

Que ir ao campo missionário? Que seja para levar Cristo aos nativos. Quer ser missionário? Que seja para padecer afrontas, pressão espiritual, opressão demoníaca, poucas conversões, dificuldades em pregar em outra língua, passar por um isolamento sem que nenhum amigo esteja por perto para dividir as lamúrias.

Enfim, missionário foi enviado para passar por isso ou por coisas piores em busca de almas, e não é qualquer um que quer ser esse tipo de missionário. Então, que os bajuladores sejam intercessores, e que os que sonham com uma missão paradisíaca e intercambiável passem a orar pela missão, que é trabalhosa e abnegada.

A-BD

3 comentários :

  1. Pb Charlles, a idolatria está presente em varios setor da igreja, pois sejam missionário ou pastores locais ou mesmo presidente de igreja a função deles é apenas servir. um certo pastor me disse:"moises, quando subimos, estamos mesmo é descendo" nem todos tem essa conciencia, mas na verdade quando alguns homens começa a galgar as esferas mais alta na igreja cresce juntamente com ele a prepotência eclesiástica, e o desejo de ser bajulado. E quando falamos em idolatria não podemos deixar de mencionar os pregadores e cantores que são poucos que podemos chama-los de levitas, porque muitos estam a procura de glória!.

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  2. Caro Moises,


    Disseste bem: “alguns homens”, não são todos, por certo a minoria.

    O orgulho e a vaidade imperam em alguns corações, mas não podemos generalizar.
    Sentimentos carnais permeiam em nosso meio, ainda somos pecadores.

    Sobre o trabalho missionário, é uma obra feita por toda a congregação, não apenas pelos irmãos enviados, mas pelos que anonimamente oram e contribuem. Se considerarmos o esforço de pastores como Martim Alves, José Hermínio e o nosso presidente, pastor Santana, teremos a certeza que somos uma igreja servidora, que não se acomodou entre quatros paredes, mas que empreendemos todos os recursos para alcançarmos os povos não-evangelizados.

    Quem pensa diferente disso, é bom reconsiderar o conceito sobre Missão.

    Não conheço pessoalmente nenhum pastor ou missionário ‘estrela’, conheço homens que acompanhado de suas famílias deixaram o conforto de suas casas e seus bons salários, embrenharam-se mato adentro para pregarem em tempo integral a Palavra de Deus, sobrevivendo graças as contribuições da igreja. Se esses heróis NÃO merecem a nossa consideração e estima, então, acredito que estamos deixando de cumprir com o conselho da Escritura Sagrada.

    Todavia, a mídia estampa o ‘estrelismo’ de alguns que se rotulam “Missionários” para mérito próprio, caindo no engodo vaidade e orgulho.

    Como disse, é minoria, não vale a pena perder o foco em razão de pessoas que estão fora do contexto bíblico.


    Grato,
    Pb. Charlles Oliveira

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  3. É muito importante, antes de falar em missões, fazer missões.

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